quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Egi...

Ando muito confuso nestes dias. E tudo devido aos confrontos que se estão a passar no Egipto. Perdão, agora creio que tem que dizer-se “Egito”. E vem daqui mesmo a minha confusão: eu já não sei como se chamam as pessoas que andam à porrada naquele país a quem o Sócrates roubou um “P”. Não podem ser egípcios, porque aparentemente o “p” não estava a fazer nada no nome do país. E egícios também não soa nada bem. Como fica então isto?

Mas aqueles egípcios (?) são tesos, lutam por aquilo que acreditam, algo que faz muita muita falta aos portugueses. Nós limitamo-nos a encolher os ombros e a lamentarmo-nos da vida, alguns escondidos atrás de blogs da treta a mandar bitaites...


De toda a merda que o governo de Sócrates anda a fazer há mais de 5 anos, esta foi sem dúvida a pior. É a pior porque rouba património cultural e património da língua portuguesa que se tem que vergar ao português que se fala em outras partes do mundo, apagando a nossa herança linguística para sempre.
Creio que não estou a ser um “velho do Restelo” averso à mudança, simplesmente não percebo que benefícios isto trouxe à comunicação entre países lusófonos. Antes pelo contrário. Agora os portugueses já não sabem o que é um “fato”: é vestuário ou é uma evidência?
E um “pato”? É um entendimento entre pessoas ou é um animal?
Caso os iluminados que fizeram este acordo brilhante não tenham percebido, nós dizemos realmente “pacto” e “facto”! O “c” lê-se!!! Por isso o argumento de que facilita e se uma letra não se lê não faz lá falta não é um bom argumento de todo.
Já agora vamos tirar todos os “h’s” – oje, esitação, armonia. Facilita muitíssimo! E assim os putos têm menos uma coisa para aprender e os resultados são melhores para a estatística das escolas.

Para dar um exemplo: os ingleses têm diferenças óbvias de sotaque com os americanos e também na escrita existem (proponho que se altere para “ezistem”. Facilita) algumas diferenças. Não é por isso que deixam de se entender uns aos outros. A prova disso foi que os americanos ficaram todos de boca aberta com o que o Ricky Gervais disse nos globos de ouro! Ganda boss!


“Porreiro pá! Bué porreiro pá!”

Um comentário:

ALC disse...

Olá!

Há muito tempo que não visitava o vosso blogue. Concordo plenamente que os últimos 5/ 6 anos não tenham corrido nada bem em termos de gestão governamental. Mas tenho de discordar com o ponto de vista aqui explícito sobre o acordo ortográfico. Continua a escrever-se “Egipto”, “facto” e “pacto”…. Há, de facto algumas palavras que sofreram alterações sem se perceber muito bem qual a lógica (até porque o próprio acordo é contraditório nalgumas regras) e há outras que não alteraram e podiam ser alteradas. Como qualquer outra dimensão da nossa sociedade/ cultura, a língua para que permaneça viva tem de ser alterada e tem de se ajustar. Seria muito confuso se ainda se utilizasse a “phorma” de “ph” para “f”… e para além disso… nós temos muito a ganhar (até mesmo em termos de mercado e de competitividade) pelo facto de unificarmos a nossa língua e termos 7 países a assinarem um acordo de homogeneização. Não é à toa que a língua inglesa, independentemente da pronúncia, é a mais utilizada em transações comerciais. Não temos de perder a nossa identidade por deixarmos para trás um “c” ou um “p”. Não sei quem foi o querido (eheh) que escreveu este artigo que fomenta (e muito bem!) a discussão. Os nomes pelos quais assinam aqui são ligeiramente estranhos… mas era interessante falarmos sobre isto! É um tema bem engraçado! Beijinhos, querido!:)