Desde há muitos anos que Portugal está apertado por uma cinta que nos prende os movimentos. Não é à toa que nos auto-proclamamos um país de brandos costumes. Mas para quem pensa que isto são resquícios dos muitos anos sob um regime salazarista está muito enganado. Aliás, nós só nos mantivemos tantos anos sob repressão devido a este problema mais antigo que nos entorpece os músculos e a mente.
Ao contrário dos Estados Unidos, em que a técnica passa por aterrorizar e amedrontar os cidadãos para que estes dêem total apoio ao governo e se deixem governar como ovelhas, em Portugal o plano passou simplesmente pela criação dum vocabulário que não deixe as pessoas terem força, que suavize o povo, que amoleça os instintos. Só isto! Alguém num cargo de chefia há muitos anos atrás se lembrou que ninguém consegue ter força ou ter acções se não tiver palavras para isso.
Ninguém pensa “Ai tou mesmo zangadinho! Vou fazer uma revoluçãozinha” e depois consegue fazê-la! Ninguém!
Foi isto que alguém se lembrou. Por isso estamos cercados de diminutivos. “Olhe por favor, quero uma bifanazinha e uma imperialzinha”. Nem numa cervejaria o homem é capaz de ser viril, receio que não haja mesmo esperança.
E pior que isto tudo, como fugir áquelas palavras que só existem terminadas em –inho? Não é à toa que o treinador mais famoso do mundo é alguém que se chama Mourinho! Ninguém me consegue convencer que o Mourinho não foi preparado em laboratório para ser o que é, para todos os sábados vermos a Sporttv e sermos condicionados pelo seu nome. O governo português é assombroso!
Quando alguém bebe uns copos e começa a sentir-se reaccionário e barulhento o que é que acontece? A mulher diz: “cala-te Artur, já bebeste muito vinho!” vinho, -inho, sempre aquele som, lá se vai a coragem. Será coincidência ser uma das nossas maiores exportações? Mais uma vez não me parece!
E aqueles momentos em que estamos sós e pensamos no que vai mal e no que precisa ser mudado? Em que tudo parece mais nítido... mas depois lembramo-nos: eu não estou só, eu estou sozinho!!
Penso que a solução passa pelos gajos das obras. Com esses meninos muitas palavras acabam em –ona. “Anda cá boazona!” era capaz de haver mais –onas nesta frase; “Ganda parzorro!” Não há cá diminutivos para ninguém!
Mas tem que ser aquele pessoal da old school. Essa malta de leste que veio para cá recentemente não sabe ser mal educada muitas das vezes, falta-lhes a veia tuga.
segunda-feira, 14 de abril de 2008
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Um comentário:
Bem estruturadinho, bem pensadinho, bem escritinho... mas ri-me que nem um homenzarrão que bebe médias super, fuma sg gigante e apanha grandes porradões!! Agora fico confudidinho...
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