Parece-me que anda por aí uma praga que nos anda a minar o que de mai belo e mai rico há nestes tempos de globalização, os jogos da selecção.
Os jogos da selecção fazem-me lembrar aquelas aulas de história em que o Zé tuga andava por esse mundo fora, em cima de um burrito ou de barco à vela, a aviar reais cabazadas em tudo o que fosse espanhol, francês, muçulmano ou que simplesmente cheira-se a carpetes de Marrocos. Um jogo de selecção é uma forma de batalha entre países para ver quem é o maior da aldeia e faz enaltecer o espírito patriótico que existe em cada um de nós. Até diria que em qualquer jogo de selecção não teria nenhum problema em sentar-me ao lado de Pinto da Costa, esse rei da fruta tropical, mesmo com todos os seus problemas de flatulência.
Esta praga que por aí anda chama-se praga brasileira, que quer queiramos quer não anda constantemente a sondar a nossa selecção. Eu propunha mudar o nome de selecção das quinas para selecção exótica, dada à fauna e flora que por lá anda. Já não basta termos portugueses com o nome Cristiano Ronaldo ou Nani a jogar na selecção, agora passamos também a ter Pepes, Decos e Liedsons… Estes nomes além de darem erro no Word Edição Português de Portugal, fazem-me lembrar de nomes de batidos de fruta e doenças exóticas, tipo malária.
Já estou mesmo a imaginar um relato da selecção exótica: Abacaxi leva a bola. Abacaxi faz um passe a rasgar para a desmarcação de Papaia. Papaia dribla um, dois, três adversários! Vai á linha e cruza… Cabeceamento do Mosquito da Dengue a amortecer para a Mosca Tsé Tsé. Mosca Tsé Tsé remata e golo!
Prova disso têm sido estes últimos jogos da selecção. No passado jogo contra a Hungria, estava eu distraído a dar milho aos pombos quando ouvi no meu rádio “Pepe antecipou-se e surpreendeu a defesa húngara!”. Por momentos pensei, “Cum catano! Já não basta a suína queres ver que agora vem aí mais uma gripe.”
Estes jogos da selecção já não são o que eram. O hino passou a ser ao ritmo do samba, a bela da imperial transformou-se em caipirinha e os golos parecem-me agora que são todos dedicados ao menino Jesus com a célebre t-shirt “Jesus te Amo”. Enfim, já que se foi importar um brasileiro de 31 anos para por fim há falta de golos e “renovar” o ataque da selecção, ao menos podiam também ir buscar os responsáveis da Playboy do Brasil para ensinar aos daqui como é se que faz uma bela de uma revista.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
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