terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

É TAM BOM ÇER PORTUGUÊS

Depois de muito ponderar e reflectir concluí, sem qualquer tipo de dúvidas, que ser-se português realmente só tem vantagens.

Ora vejamos, podemos não saber ler nem escrever, não saber somar ou subtrair, não saber qual o distrito onde residimos, quem é o presidente da Assembleia da Républica ou até mesmo que Darfur não é um hipermercado, que é tudo visto como uma situação normal.
Nesse caso fazemos parte de 85% da população, que não obstante poder ter algumas lacunas cognitivas nesses campos, colmatá-las-á com conhecimentos de muito maior importância, por ex: quem são os senhores dos programas das manhãs e tardes da rtp, sic e tvi, os meninos dos morangos, quem é que matou a amante do padre que por sua vez tem um caso com o senhor do talho que por acaso até tem filhos gémeos (um bom e outro mau como é óbvio) mas que depois descobre que os filhos não são dele mas sim do primo que tinha estado emigrado numa qualquer parte do mundo (tudo isto nas duas ou três telenovelas da noite). Para adicionar a este fantástico rol de conhecimentos também sabemos de cor e salteado a disposição das lojas, montras e afins de todos os shoppings que por este país florescem.

Contudo há muitas mais vantagens: podemos cuspir e atirar qualquer tipo de despejo para o chão; comer de boca cheia e de preferência bem aberta; termos apenas 15% da dentição; passar sinais vermelhos, stops, fazer inversão de marcha em qualquer local, não parar nas passadeiras e estacionar em cima dos passeios; ir às compras de fato de treino (preferencialmente de cor roxa e com um crucifixo de ouro por cima); dizer selada, padêria, ténes, táquece, lápes e quaisqueres ; beber até cair para o lado (e conduzir de preferência); bater na mulher ou vice-versa; que tudo isso é bem aceite, está nos padrões de normalidade.
Por tudo isto "é tam bom çer português".

Qualquer individuo que saiba escrever o seu nome e morada sem dar erros; fazer uma soma de 2 parcelas com 2 algarismos cada; indicar qual é a capital de Itália: saber quem é o ministro das Finanças; (isto já é pedir muito), dizer uma palavra em inglês para além de yes e ok; utilizar expressões como por favor e obrigado; beber menos de 20 mines por dia; cumprir em parte o código da estrada e expressar-se sem dar muitas "facadas" na gramática; é sem dúvida um cidadão modelo, bem acima da média, um indíviduo que só pode esperar uma vida infelizmente mais complicada (sem subsídio de desemprego ou rendimento mínimo ou qualquer outro género de bónus que premeie a incompetência).

Agora faça contas e verifique se quer fazer parte da maioria ou não ( a maior parte não tem poder de escolha), seja como for, é memo muintá bom çer tuga pá.

Até um dia destes...

5 comentários:

Tripanário disse...

Sr. José de Pereira, não se esqueça que há uma grande escola emergente no nosso português que é substituir "r"'s por "l"'s, sim tipo chinês. Estima-se que pelo menos 10% de uma população tão nossa conhecida já pratica esta nova "modalidade"

RRNHAU! disse...

Sr.José que comenta Sr.Josédepereira, não se esqueça igualmente que já há muito mais tempo prevalece uma escola que tende a forçar os "r" com "rrrrrrr", estando o seu mentor identificado como Microchiroptera da Rua Sésamo.

Ganda Depatrão disse...

Gostaria ainda de lembrar uma escola ainda mais emergente com um número cada vez maior de praticantes e da qual alguns estão excluídos. Esta escola caracteriza-se por substituir qualquer consoante por "t"s. Não é uma linguagem fácil mas está a ter cada vez mais aceitação entre os,digamos..., atrasados mentais

Francisco disse...

E por falar em atrasados mentais, nao esquecer a escola SMS e MSN, em que substitui os acentos por "H", os s por "X", os j por "X", e nao tarda os t por "X". Se os atrasados que o sr JM fulier refere comecarem a trocar os t por "X" poem a malta toda a mijar

Tripanário disse...

Oh "zé" Esta conheci este fds, trocar "r"'s por "g"'s...

Vá lá que não foi no nosso estaminé, ligeiramente acima se me percebes... lool